16/2/2021 - Pandemia afeta o Hemonúcleo do HAC

   Há pouco mais de um ano, a pandemia do novo Coronavírus mudou o cotidiano das pessoas no mundo todo: no trabalho, nos estudos ou no lazer. Na área da saúde, a situação é ainda mais alarmante e os bancos de sangue estão sofrendo bastante com essa realidade.
   Com medo da contaminação ou por terem sido acometidos pela COVID-19, muitos doadores deixaram de comparecer aos hemocentros e as coletas reduziram drasticamente. De acordo com o hematologista Marcos Augusto Mauad, responsável pelo Hemonúcleo Regional de Jaú, do Hospital Amaral Carvalho (HAC), o serviço que abastece 11 hospitais da região teve uma queda de mais de 50% no estoque de bolsas de sangue e plaquetas nos últimos dois meses.
   O médico explica que, no início da pandemia, a população atendeu aos apelos do serviço e foi possível manter a média de 30 por dia. “No entanto, com o avanço da doença e o aumento no número de casos, especialmente na nossa região, pacientes jovens, que são a maioria dos doadores, acabaram contraindo a COVID-19, mesmo que de forma mais branda, o que impactou nas doações, já que é necessário esperar 30 dias após o término dos sintomas para doar e 14 dias sem contato com alguém infectado”.
   Outro fator relevante, de acordo com Mauad, é a imunização contra o novo Coronavírus, que impede a doação por determinado período. “Quem tomou a CoronaVac, deve aguardar 48 horas para doar. Quem recebeu a vacina Oxford, deve esperar uma semana”, orienta.

Precaução
   O hematologista afirma que o Hemonúcleo do HAC está seguindo todas as recomendações de precaução contra a COVID-19, portanto é seguro vir até a unidade. “Temos uma entrada exclusiva para doadores, separada dos pacientes, respeitamos o distanciamento na sala de espera, ofertamos álcool em gel para higienização das mãos e todos os profissionais usam os Equipamentos de Proteção Individual”.
   É possível agendar a doação previamente pelo telefone (14) 3602-1355 ou 3602-1356: são dez doadores a cada hora, no máximo, para reduzir o número de pessoas no local e evitar aglomerações.
   Além de todas as precauções, o Hemonúcleo possui qualidade técnica e de insumos, estrutura adequada, equipamentos de ponta e uma equipe altamente qualificada para realização de todo o processo, desde a coleta até a disponibilização dos hemocomponentes. “No entanto, todo esse complexo não tem serventia se o elemento fundamental não existir, que é o doador de sangue”, afirma Mauad e reforça: “Por isso, somos extremamente gratos à população que nunca deixou o Hemonúcleo ficar desabastecido. A cada pessoa que nos ajuda, muito obrigado”.

Segurança social
   “A doação de sangue é um ato solidário, especialmente agora, em meio ao caos que a pandemia causou. Por isso, a participação da sociedade para manter a quantidade e qualidade do estoque de bolsas de sangue e plaquetas, é imprescindível”, destaca o médico.
   Ele ressalta que a doação é também um ato de segurança social, pois não se sabe quem precisará de transfusões sanguíneas. “O processo para liberação dos hemocomponentes leva de dois a três dias, mas quando alguém precisa, não há esse tempo a esperar, portanto, temos que trabalhar com um estoque para disponibilizar imediatamente a quem precisa”, completa.



O hematologista responsável pelo Hemonúcleo, Marcos Augusto Mauad

Autor: Ariane Urbanetto