17/02/2021 - Campanha nacional conscientiza sobre leucemias

   Mais um mês ganha cor especial para chamar atenção para um assunto tão relevante: a saúde. É o Fevereiro Laranja, iniciativa nacional que conscientiza sobre a importância do diagnóstico precoce das leucemias.
   Para este ano, são estimados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) cerca de 11 mil novos casos desse tipo de câncer que afeta as células do sangue, especialmente os leucócitos (glóbulos brancos), responsáveis pela defesa do organismo. Com dezenas de subtipos, o diagnóstico precoce da leucemia faz a diferença, de acordo com o hematologista do Hospital Amaral Carvalho (HAC) Ederson Roberto de Mattos. “Leucemia Mieloide e Leucemia Linfoide, Agudas ou Crônicas, são as principais, com manifestações distintas e que podem acometer desde crianças até idosos. No entanto, o início precoce do tratamento de qualquer tipo da doença melhora bastante o prognóstico”, afirma.

Sem prevenção
   Ao contrário de outros tipos de câncer, as leucemias não têm prevenção e os sintomas podem ser confundidos com o de doenças infecciosas. Febre, fraqueza, surgimento de manchas vermelhas ou hematomas pelo corpo, muitas vezes são considerados comuns, o que dificulta a detecção e retarda o início dos cuidados.
   Não dá para prevenir, mas existem diferentes formas de tratamento, conforme o tipo da leucemia, e com altos índices de cura, como terapia-alvo, imunoterapia e as modalidades de transplante de medula óssea. “São várias abordagens e medicamentos, graças aos avanços da medicina, e com resultados interessantes, muito positivos. Mas é importante o paciente discutir com um hematologista quais os procedimentos mais adequados para o caso”, reforça o profissional do HAC.

Desafios
   O médico avalia que, nos próximos anos, um dos grandes desafios no tratamento de leucemias será o uso racional dos recursos. “Já é uma realidade. Cada vez mais tentamos incorporar novas tecnologias para obter melhores resultados e aumentar a resposta dos pacientes”.
   Recentemente, houve uma mobilização popular e de classes médicas sobre o risco de desabastecimento do Bussulfano, medicamento utilizado por pacientes pré-transplante de medula. “Sem essa droga, muitos não poderão realizar o procedimento e alguns não conseguirão esperar por muito tempo. Esse tipo de situação ocorreu anteriormente, por isso digo que temos que avançar sempre, mas não podemos nos esquecer das tecnologias bem estabelecidas e muito eficazes”, comenta.
   Outro desafio, sem dúvida é a pandemia do novo Coronavírus, relata Ederson. “Pacientes em tratamento de leucemias ou outros tipos de câncer, ao adquirirem a COVID-19, têm um risco muito maior de evoluir de maneira desfavorável. Além disso, qualquer intercorrência pode interferir no tratamento”.
   Um aspecto importante, que segundo o hematologista, impacta no tratamento, é com relação às doações de sangue e plaquetas. “Uma necessidade constante de muitos pacientes é a transfusão de sangue ou plaquetas. Com a pandemia, os doadores deixaram de comparecer aos hemocentros, por questões de saúde mesmo, por terem a COVID-19. Outros, por medo de se deslocar até hospitais e contrair a doença. Então, existe a demanda, mas está difícil de manter os estoques, e isso pode ser fatal para os pacientes”, explica e faz um apelo: “Por isso, quem estiver saudável, procure um centro de coleta de sangue para ajudar”.

Maior transplantador
   O Amaral Carvalho recebe pacientes de todo o Brasil para realização do transplante de medula óssea. O procedimento, em alguns casos de leucemia, é a única opção de tratamento.
   O hospital é o maior transplantador do Hemisfério Sul, com uma produção anual de 200 procedimentos, em média. Desde a sua criação, em 1996, o serviço realizou mais de 3.500 transplantes.
   Além de promover assistência à saúde de qualidade, priorizando a segurança dos pacientes, a instituição oferece assistência social por meio de casas de apoio com hospedagem e alimentação gratuitas aos usuários que precisam permanecer na cidade por longos períodos, por conta do tratamento.

Autor: Ariane Urbanetto