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30 de Dezembro de 2020

Em 2019, a vida da jauense Raquel Surian Cato virou de ponta-cabeça. Com 21 anos, fazendo faculdade de Turismo no Paraná, descobriu que estava doente: linfoma, um tipo de câncer no sangue, foi o diagnóstico que a fez mudar de planos e voltar para a casa dos pais, para iniciar o tratamento no Hospital Amaral Carvalho (HAC). Depois de quase um ano entre quimioterapias e internações, teve uma melhora e retomou os estudos para tentar concluir o último ano da graduação. Mas, com fortes dores pelo corpo, a jovem precisou parar novamente, pois a doença tinha voltado e a indicação médica, desta vez, foi a de um transplante de medula óssea. “O HAC é um serviço de referência, sempre me senti muito segura aqui. Sem contar que as equipes da hematologia e do TMO cuidaram (e cuidam) muito bem de mim. Sempre fazem de tudo para nos animar, mas não vou negar, tinha dias que eram bem difíceis”, comentou. E foi tentando levar o astral da garota, que a enfermeira Nayara D’Amico fez uma brincadeira durante a internação após o transplante. “Ela estava um pouco triste, bem quieta, então comecei a procurar maneiras de fazê-la sorrir. Dizia que eu sempre gosto de ter razão e que tinha o pressentimento que a medula ia pegar no D10 (décimo dia após a realização do procedimento)”, explicou a profissional. Raquel conta que pesquisou e, geralmente, depois do transplante, a recuperação da medula, chamada popularmente de “pega”, ocorre entre o 14 e 21º dia. “Eu não esperava que fosse acontecer tão cedo, então, falei para a Nayara que não, que duvidava muito”.Diariamente, a enfermeira reforçava sua opinião e falava que ia querer ouvir a paciente dizer que ela tinha razão. “Assim, fomos estreitando nossos laços e ela já estava mais feliz e comunicativa”.D10No décimo dia após o transplante, às seis horas da manhã, com os resultados dos exames em mãos, a enfermeira acordou Raquel com a notícia: deu certo. “Ela chegou rindo e dizendo ‘Eu não falei? Eu avisei!’. E eu, ainda sonolenta, não acreditei, porque foi muito rápido e a gente sempre espera o pior. Mas fiquei muito feliz, pois era um bom sinal”, disse a paciente.A jovem lembra que às vezes, na internação, tinha vontade de chorar, mas sempre vinha algum funcionário ajudar. “Com gestos e palavras que aqueciam meu coração, o que tornava as coisas mais fáceis de lidar. Então, pensei, vou recompensá-los de alguma maneira”. Entre as conversas com a equipe para passar o tempo, ela sempre comentava do bolo que uma tia faz de abacaxi caramelizado, uma delícia que queria comer logo que pudesse. “Então, tivemos a ideia de fazer bolo para as equipes”.A família se mobilizou: o pai, Agentil, comprou os ingredientes, o irmão mais velho, Mateus, comprou as embalagens, a mãe, Rosi, aprendeu por videochamada a receita do bolo com sua irmã que mora em outra cidade e preparou as massas e o recheio, e a Raquel e seu irmão mais novo, Daniel, montaram 41 unidades embaladas individualmente e com bilhetinhos de agradecimento aos funcionários. Tudo isso em um dia.Na semana passada, vieram entregar o doce. “Quero que sintam o carinho que temos por eles e que jamais esqueceremos o que fizeram por nós. Quero que vejam que vale a pena serem quem são e fazerem seu trabalho da maneira que fazem, pois muda a vida dos pacientes”, disse emocionada.Com quase 50 dias de transplante, Raquel está se sentindo bem, com os cabelos crescendo (depois de terem caído, após as quimioterapias) e vivendo um dia de cada vez. “Do futuro a gente não sabe nada, ainda mais com essa pandemia que estamos passando, então estou curtindo cada momento com a minha família e montando muitos quebra-cabeças para passar o tempo”, brincou.Ariane Urbanetto

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