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24 de maio de 2021
Quando uma pessoa com COVID-19 precisa de internação, não tem direito a acompanhante, por ser uma doença contagiosa. Além do cansaço, fraqueza e falta de ar impostos pela enfermidade, o paciente, muitas vezes, sente-se solitário. Para amenizar esse sofrimento, no Centro de Combate à COVID-19 do Hospital Amaral Carvalho (HAC), as equipes de serviço social e psicologia criaram um novo protocolo: o Prontuário Afetivo.Diferente do Prontuário padrão, que traz informações sobre o estado clínico do paciente, o novo formulário reúne dados pessoais, sonhos e desejos dessas pessoas. “Como gosta de ser chamado, qual sua profissão e expectativas para o futuro. Esses são alguns dos questionamentos feitos logo no início da internação e as respostam ficam fixadas no leito”, conta o psicólogo Rodrigo Candido.A ideia é propor uma reflexão interna aos pacientes, resgatar suas memórias e destacar aspectos positivos da sua vida. “O processo de hospitalização fragiliza as pessoas, que acabam deixando de lado seus desejos pessoais. Muitas vezes, num leito de hospital, o indivíduo só se relaciona à doença. Com esse projeto, ampliamos essa visão. Ali, estão pessoas que amam e são amadas, que têm vontades e necessidades além dos cuidados com a saúde”.Inserida na rotina do Centro há pouco mais de uma semana, a entrevista de aplicação do questionário é um momento único. “É emocionante, divertido e traz uma leveza ao ambiente. Naquele momento, o paciente esquece que está internado e começa a se lembrar de suas experiências, é como se passasse um filme na sua cabeça. E nós entramos nesse filme. Essas memórias são positivas, fazem com que o doente queira se recuperar para voltar à sua vida lá fora, para o que gostam de fazer e com quem gostam de estar”, comenta a assistente social Priscila Castelo. De acordo com a responsável pelo Serviço Social do HAC, Vanessa de Moraes, as informações ficam bem visíveis para que possam ser consultadas por todos os profissionais da saúde. “Inclusive, orientamos que utilizem esses elementos para interagir mais com os pacientes: chamá-los pelo apelido, cantar sua música preferida, e assim, iniciar um bate-papo descontraído”, conta. Vanessa destaca que estar internado não é agradável, mas nem por isso deve ser encarado como algo ruim. “Pensamos em cada detalhe para tornar a experiência do paciente em algo positivo, para que ele perceba que estamos cuidando da sua saúde, tratando da doença e do ser humano que está aqui”.Além do Prontuário Afetivo, outros instrumentos de humanização são implementados na rotina hospitalar do Centro de Combate à COVID-19, como a régua de orientação temporal, que indica o período do dia (manhã, tarde e noite), e as fotos e bilhetes de familiares, que são colados no leito do paciente. “Essas ações tem tido ótima repercussão e aceitação dos pacientes, o que nos deixa muito felizes e motivados a proporcionar sempre o acolhimento da forma mais humanizada possível”, completa.

Ariane Urbanetto

Anexos
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